Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

PARA: Jornal “PÚBLICO”

Lisboa, 5 de Outubro, 2009 
                                                                                                  Provedor do Leitor

                                                                                                   Prezado Senhor

      

O jornal “Público”, juntando-se à campanha nacional/comercial da comemoração do décimo aniversário do falecimento de Amália Rodrigues, lançou uma colectânea de 12 volumes da discografia da artista, com apresentação destacada no v/Suplemento Ípsilon de 29 Setembro último.

 

No texto assinado por Kathleen Gomes (pgs. 7,8,9) a articulista põe na boca de Rui Vieira Nery, responsável pela edição discográfica, citando entre aspas que Amália “....cantou o fado Libertação de David Mourão Ferreira que era o “Fado de Peniche”, que toda a gente sabia que foi escrito em alusão à prisão de Álvaro Cunhal....”. Embora custe a admitir, será um lapso do ilustre musicólogo ? Ou uma falsidade deliberada?

 

O que toda a gente sabia – falo de toda a gente que passou anos encarcerada no Forte de Peniche; que sacrificou vidas, saúde, família e carreiras na luta antifascista – é que o chamado Fado de Peniche (Alain Oulman – D.M.Ferreira) está sob o título “Abandono” (por suposto para iludir a censura) no famoso disco de Amália conhecido por ”O Busto” .

 

O fado “Libertação” incluído no v/Volume I (e, novamente !? no Volume XII), que data dos anos 50, período do Café Luso, não contem a mínima alusão de carácter político, aborda simplesmente o tradicional tema do amor proibido, Ao invés do fado “Abandono” , anos 60, período Alain Oulman,  cujo tema é de transparente intenção : “Por teu livre pensamento/ Foram-te longe encerrar......Ao menos ouves o vento/Ao menos ouves o mar”.

 

Não  é admissível confusão por acidente. Não é admissível a exclusão do Abandono, um dos melhores e mais comoventes fados de Amália, numa colectânea de 136 escolhas, onde não faltam cantinguinhas  do tipo comercial. Estaremos, isso sim, perante a hipótese mais provável da pequena infâmia, típica do espírito ovino do rebanho “politicamente correcto”.  

     Nesta democracia filofascista (a designação é minha, pessoal) tenho estado sujeito a permanente discriminação censória.  Por norma, qualquer m/intervenção nos media, é ignorada , reduzida ou adulterada. Na eventualidade da repetição de semelhante procedimento,  farei circular na Internet a presente comunicação.  

Na expectativa

 

Ass)  João Varela Gomes

publicado por samizdat às 11:29
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1 comentário:
De marta a 26 de Novembro de 2009 às 14:29
Por não ter outra forma de lhe fazer chegar ao conhecimento uns comentários escritos num blog do militante do PCP, Vítor Dias, que acabaram por envolver o seu nome, escrevo-lhe aqui neste comentário. Se tiver então interessado, siga esta ligação e leia depois os comentários.

http://tempodascerejas.blogspot.com/2009/11/combates-da-memoria-35.html

Com elevada estima

Marta


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